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Série Olhar do Mercado. Avanço da integração com SulAmérica abre espaço para lucro da Rede D’Or saltar 26%

Para 2028, o banco de investimento UBS estima que o lucro líquido recorrente da Rede D’Or alcance R$ 7,4 bilhões, avanço de 16% sobre o resultado esperado para 2027

Crédito de Foto: Magnific
Crédito de Foto: Magnific Ilustração de Saúde Insider

O lucro líquido recorrente da Rede D’Or pode chegar a R$ 6,4 bilhões em 2027, alta de 26% sobre os R$ 5,1 bilhões projetados para este ano, segundo estimativas do UBS. A previsão do banco está 7% acima do consenso de mercado e considera, entre outros fatores, maior integração com a SulAmérica e avanço da complexidade da operação hospitalar. “A expansão da receita continua sendo impulsionada pelo crescimento do tíquete, e não pelo volume”, afirmou o banco em relatório. Esta reportagem abre a Série Olhar do Mercado, que irá apresentar as estimativas dos bancos de investimentos às operações das gigantes da saúde. Amanhã (1º) o Saúde Insider traz as considerações do UBS sobre o Grupo Fleury.

Para 2028, o UBS estima que o lucro líquido recorrente da Rede D’Or alcance R$ 7,4 bilhões, avanço de 16% sobre o resultado esperado para 2027. A receita líquida também deve crescer no período, de R$ 59,9 bilhões em 2026 para R$ 65,5 bilhões no próximo ano e R$ 73,2 bilhões em 2028. No horizonte mais longo, o banco associa parte dessa trajetória ao amadurecimento da capacidade hospitalar adicionada nos últimos anos e ao aumento da complexidade dos procedimentos realizados pelo grupo.

Um dos movimentos destacados pelo UBS é o avanço da internalização das despesas da SulAmérica. A fatia dos gastos da operadora com seus beneficiários que fica dentro da própria Rede D’Or chegou a 35% no segundo trimestre e pode alcançar 42% até 2030, segundo projeção do banco. A integração vem avançando desde a combinação dos negócios, concluída em 2022, e faz com que despesas que iriam para prestadores externos passem a gerar receita dentro do próprio grupo. “Cada sinistro internalizado substitui um custo externo por receita da própria rede”, afirmou o UBS.

A verticalização vem crescendo de forma contínua nos últimos dois anos. A parcela era de 24% no primeiro trimestre de 2024, passou a 29% no início de 2025 e chegou aos atuais 35% no segundo trimestre deste ano. Para os próximos períodos, o UBS projeta 37% em 2026, 39% em 2027 e 40% em 2028, antes de alcançar 42% em 2030. O banco avalia, porém, que o indicador tende a encontrar um limite na faixa dos 40%, diante da manutenção da ampla rede credenciada oferecida pela SulAmérica.

O avanço da integração ocorre enquanto a Rede D’Or amplia sua estrutura hospitalar. Desde o IPO, no fim de 2020, o grupo passou de 51 para 73 hospitais e de 6,9 mil para 10,6 mil leitos operacionais. A receita líquida dos hospitais avançou de R$ 14 bilhões em 2020 para R$ 33,3 bilhões nos 12 meses encerrados no segundo trimestre. Para 2026 a 2028, o modelo do UBS incorpora ainda o pipeline anunciado pela companhia de aproximadamente 2.690 novos leitos, sem considerar expansões adicionais.

A expansão da capacidade tem sido acompanhada por maior intensidade da operação hospitalar. Segundo os cálculos apresentados pelo UBS, o número de cirurgias por mil leitos operacionais saiu da faixa dos 40 e tantos procedimentos em 2022 para cerca de 57 no segundo trimestre de 2026. Nos 12 meses encerrados no período, o tíquete respondeu por 60% do crescimento da receita bruta hospitalar, excluída a oncologia, enquanto o volume respondeu por 37% e o efeito combinado pelos 3% restantes.

O UBS interpreta o aumento do tíquete como compatível com uma composição de procedimentos de maior complexidade, embora reconheça que parte da diferença também possa refletir aumentos reais de preços. Para o banco, a maturação dos hospitais abertos nos últimos anos e o avanço dessa complexidade devem permitir que a margem EBITDA hospitalar recorrente passe dos atuais 24,5% para 24,8% em 2026; 25,2% em 2027 e 25,7% em 2028. O cenário considera ainda que os novos leitos caminhem para aproximadamente 95% de utilização operacional ao longo do tempo. Confira a íntegra do relatório abaixo.

Questões essenciais

Quanto a Rede D’Or pode lucrar nos próximos anos?

O UBS estima lucro líquido recorrente de R$ 6,4 bilhões em 2027, alta de 26% sobre os R$ 5,1 bilhões projetados para 2026. Para 2028, a previsão chega a R$ 7,4 bilhões, avanço de 16% sobre 2027.

Quanto dos gastos da SulAmérica já é internalizado pela Rede D’Or?

A parcela dos gastos assistenciais da SulAmérica que fica dentro da Rede D’Or chegou a 35% no segundo trimestre de 2026. O UBS projeta que esse percentual alcance 39% em 2027, 40% em 2028 e 42% em 2030.

O que pode impulsionar o crescimento da Rede D’Or?

Segundo o UBS, a trajetória considera maior integração com a SulAmérica, amadurecimento da capacidade hospitalar instalada, expansão de leitos e aumento da complexidade dos procedimentos. O banco projeta cerca de 2.690 novos leitos entre 2026 e 2028.

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