Olhar do Mercado. Com melhora das margens, receita da Hapvida pode atingir R$ 34,3 bilhões em 2028
Estimativa do banco de investimentos UBS envolve melhora da rentabilidade e adaptação da carteira de clientes para avanço do Ebtida nos próximos anos
Dando continuidade à análise do UBS sobre as maiores empresas de capital aberto de saúde do Brasil, a previsão do banco é que a receita líquida da Hapvida deva chegar a R$ 34,3 bilhões em 2028, ante R$ 32,2 bilhões estimados para 2026 e R$ 33 bilhões para 2027. O crescimento se dá diante da estratégia de qualificação da carteira de beneficiários e rentabilidade da operação. Nesse cenário, o banco estima que o Ebitda ajustado avance de R$ 2,43 bilhões neste ano para R$ 2,69 bilhões em 2027 e R$ 2,90 bilhões em 2028. Neste especial, o Saúde Insider reportou as analises da Rede D’Or e do Fleury e encerra amanhã (3) com as perspectivas do Bradsaúde.
Para a Hapvida, o UBS projeta que a empresa termine 2026 com 8,5 milhões de beneficiários de saúde, número que deve recuar para 8,2 milhões em 2027 e permanecer nesse patamar em 2028, em uma estratégia de qualificação da carteira. Nesse sentido, o tíquete médio mensal dos planos deve subir de R$ 306 neste ano para R$ 324 no próximo e R$ 342 em 2028, avanço de aproximadamente 6% ao ano. Com isso, entre 2026 e 2028, o faturamento projetado aumenta cerca de R$ 2,1 bilhões, enquanto a base de saúde encolhe em aproximadamente 300 mil beneficiários.
Esse movimento deve ser acompanhado por recuperação da rentabilidade operacional. A margem Ebitda ajustada projetada pelo UBS passa de 7,5% em 2026 para 8,1% em 2027 e 8,5% em 2028. O Ebitda ajustado, por sua vez, deve crescer 11% no próximo ano, para R$ 2,69 bilhões, e mais 8% em 2028, para R$ 2,90 bilhões. Para o último ano da projeção, a estimativa do banco está 9% abaixo do consenso de mercado, que aponta Ebitda ajustado de R$ 3,17 bilhões.
Outra parte dessa melhora deve vir das despesas de vendas, gerais e administrativas. O UBS estima que elas representem cerca de 20% da receita líquida em 2026 e sejam gradualmente reduzidas para aproximadamente 17% ao longo do período projetado. O banco considera em suas estimativas uma redução das despesas relacionadas à judicialização e ganhos de eficiência. Na avaliação dos analistas, o modelo verticalizado da Hapvida pode favorecer esse processo em um mercado no qual o crescimento deve ser sustentado mais pelo tíquete do que pela expansão do número de vidas.
Sinistralidade. A melhora das margens não depende, porém, de uma queda da sinistralidade. O UBS projeta Cash MLR (sinistralidade de caixa) de 74,7% em 2026, 74,9% em 2027 e 75% em 2028. No longo prazo, o banco trabalha com estabilização do indicador em torno de 76%, ou aproximadamente 77% quando consideradas as provisões, ante uma média de 82,7% nos últimos quatro anos. A estimativa reflete uma postura que o próprio UBS classifica como “estruturalmente cautelosa em relação à evolução dos custos médicos no setor de saúde suplementar”.
A sensibilidade dos resultados à sinistralidade é relevante. Pelas contas do UBS, cada aumento de 1 ponto percentual no Cash MLR retiraria aproximadamente R$ 330 milhões do Ebitda ajustado projetado para 2027, o equivalente a cerca de 12%. No lucro, o banco estima que o lucro líquido recorrente passe de R$ 53 milhões em 2026 para R$ 308 milhões em 2027 e R$ 404 milhões em 2028. Já o lucro líquido ajustado é projetado em R$ 422 milhões neste ano, R$ 372 milhões no próximo e R$ 466 milhões em 2028. Leia o relatório na íntegra.
Questões essenciais
Quanto o UBS estima que a Hapvida terá de receita em 2028?
O UBS projeta receita líquida de R$ 34,3 bilhões em 2028, ante R$ 32,2 bilhões estimados para 2026 e R$ 33 bilhões para 2027.
Quantos beneficiários a Hapvida deve ter em 2028?
O banco estima que a Hapvida termine 2026 com 8,5 milhões de beneficiários de saúde. A projeção cai para 8,2 milhões em 2027 e permanece nesse patamar em 2028.
Qual é a projeção de Ebitda da Hapvida para 2028?
O UBS estima Ebitda ajustado de R$ 2,90 bilhões em 2028, com margem Ebitda ajustada de 8,5%. Para comparação, o consenso de mercado considerado pelo banco aponta R$ 3,17 bilhões.
