Rede Atlântica D’Or olha para cidades menores para ampliar rede e elevar tíquete dos planos de saúde
Estratégia avança sobre cidades com demanda por serviços de maior padrão e abre espaço para operadoras parceiras venderem planos mais caros e a cidade de Jundiaí, em São Paulo, é a nova aposta
A Rede D’Or está levando sua expansão para cidades fora do eixo das capitais de olho em um mercado com espaço para serviços de maior padrão e planos de saúde de tíquete mais alto. A estratégia é instalar hospitais capazes de diferenciar a oferta das operadoras parceiras em praças onde boa parte da competição ainda se concentra em preço e redes próprias locais. O movimento, conduzido também pela Atlântica D’Or, joint venture com a Atlântica Hospitais e Participações, controlada indiretamente pela Bradsaúde, ganhou um novo capítulo com o anúncio de um hospital em Jundiaí, a cerca de 50 quilômetros de São Paulo.
Segundo o presidente da Rede D’Or, Paulo Moll, um hospital de alto padrão numa cidade do interior permite às seguradoras vender planos mais caros, porque oferece ao cliente algo que a cooperativa ou a medicina de grupo local não possuem. “A competição, quando você não tem um ativo que diferencia o produto, se dá muito por preço”, afirmou o executivo, ao ressaltar que a companhia não pretende atuar com planos mais acessíveis e 100% verticalizados, nem por meio da SulAmérica, adquirida pela Rede D’Or em 2022. “Buscamos o nicho a partir do intermediário. Intermediário para alto.”
Moll afirmou que mais de 70% dos pacientes da rede vêm de outras operadoras. “Somos uma grande rede de prestação de serviços de saúde que comprou uma operadora e não o contrário”, disse. A análise feita pela assessoria de investimentos Monte Bravo mostra que as eliminações (transações intragrupo) entre Rede D’Or e SulAmérica somaram R$ 2,5 bilhões no segundo trimestre deste ano, cerca de 29% da receita líquida hospitalar, contra 25% um ano antes.
No primeiro semestre, a companhia registrou faturamento de R$ 31,5 bilhões, 8% superior ao do mesmo período do ano passado. O lucro foi de R$ 2,4 bilhões, 11,8% maior do que no acumulado de janeiro a junho de 2025. O tíquete médio de serviços hospitalares no acumulado dos últimos 12 meses até junho alcançou R$ 12,46 mil, 9,1% superior de um ano antes.
Em Jundiaí, a rede encontraria um mercado atendido por operadoras com estrutura própria. O Hospital Pitangueiras pertence à Amil desde 2018, quando a operadora comprou o Grupo Sobam, que reunia os planos Sobam e APS Saúde, o hospital e oito centros médicos na região, com cerca de 120 mil clientes à época. Hoje, o hospital integra a Rede Total Care, rede própria da Amil. Já a Unimed Jundiaí constrói um hospital de 140 leitos, com entrega prevista para o primeiro trimestre de 2027.
A Rede D’Or informou, em comunicado ao mercado no dia 16 de setembro, que o hospital será construído no bairro do Anhangabaú e sairá pela Atlântica D’Or. A Rede D’Or fica com 50,01% e responde pela operação hospitalar; a Atlântica, com 49,99%.
Outras cidades. Atualmente, a Atlântica D’Or conta com sete unidades em operação, entre elas Glória D’Or e Macaé D’Or, no Rio de Janeiro; São Luiz Campinas, São Luiz Guarulhos e São Luiz Alphaville, em São Paulo; além da Maternidade Star, na capital paulista. Recentemente, também foi anunciada a incorporação do Hospital Biocor, no município de Nova Lima, em Minas Gerais. No plano de expansão da Atlântica D’Or que está sendo executado estão os hospitais Ribeirão D’Or, São Luiz Taubaté e São Luiz Sorocaba, também no estado de São Paulo, e o São Conrado D’Or, no Rio de Janeiro.
O critério para escolher novas praças de atuação, segundo Moll, vem do fundador do grupo, seu pai, Jorge Moll Filho, que investia apenas onde a demanda já existia. “Vamos investir quando o negócio já aconteceu e precisa, como foi Campinas, como é Jundiaí.” Campinas é o precedente mais próximo. O Hospital São Luiz Campinas foi inaugurado em 2023, na área da antiga rodoviária, com investimento de R$ 350 milhões e projeto de 325 leitos.
Segundo análises do BTG Pactual e do Safra sobre o formulário de referência divulgado pela companhia em junho, a Rede D’Or prevê adicionar 2.690 leitos entre 2026 e 2028, cerca de 20% sobre a base atual, com investimento médio de aproximadamente R$ 1,4 milhão por leito. A empresa possui 13.617 leitos.
Questões essenciais
Por que a Rede D’Or vai construir um hospital em Jundiaí?
Segundo o presidente da Rede D’Or, Paulo Moll, a companhia busca cidades onde já exista demanda por hospitais de maior padrão. A estratégia segue um princípio adotado pelo fundador Jorge Moll Filho de investir em mercados cuja demanda já esteja estabelecida.
Quem vai construir o novo hospital da Rede D’Or em Jundiaí?
O hospital será um projeto da Atlântica D’Or, joint venture na qual a Rede D’Or detém 50,01% e a Atlântica Hospitais e Participações, controlada indiretamente pela Bradsaúde, possui 49,99%.
Quantos leitos a Rede D’Or pretende adicionar até 2028?
O plano de expansão prevê 2.690 novos leitos entre 2026 e 2028. O número equivale a aproximadamente 20% dos 13.617 leitos totais que a companhia possuía ao final do segundo trimestre de 2026. O plano de 2.690 leitos e o investimento médio de aproximadamente R$ 1,4 milhão por leito estão documentados na atualização de expansão da companhia.
