Em quatro décadas, Brasil terá dois idosos a cada cinco habitantes, pressionando o sistema de saúde
Os 75,3 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais nas projeções para 2070 farão esse contingente ser uma população maior que a de qualquer país da América do Sul
Projeções do IBGE mostram que o Brasil vai parar de crescer, mas continuará envelhecendo. A população brasileira, hoje em 214,2 milhões, chegará ao pico de 220,4 milhões daqui as 14 anos, em 2040, e começará a diminuir. Em 2070, serão 199,2 milhões de habitantes, 7% menor que a atual. No mesmo período, o contingente de pessoas com 60 anos ou mais seguirá a direção oposta: saltará de 36,6 milhões em 2026 para 75,3 milhões em 2070. Mais que o dobro.
A mudança mais expressiva estará no peso dos idosos dentro da população. Hoje, 17,1% dos brasileiros têm 60 anos ou mais. A proporção chegará a 24% (2040), depois 30% (2050) e 38% (2070). Em outras palavras, daqui a pouco mais de quatro décadas, quase dois em cada cinco brasileiros serão idosos.
Os mais de 75,3 milhões de pessoas com 60 anos ou mais transformará fará contingente ser maior que qualquer país sul-americano. Para 2070, as projeções apontam que as três maiores populações, além do Brasil, serão Colômbia (que terá aproximadamente 57,1 milhões de habitantes), seguida pelo Peru (41,6 milhões) e pela Argentina (46,1 milhões).
A transformação demográfica tende a aumentar a pressão sobre o sistema de saúde, especialmente o SUS. O desafio já aparece na assistência. Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, atualmente há 3,8 milhões de idosos acamados cadastrados no sistema público. No final de 2025, o Ministério da Saúde criou o Padi (Programa de Atenção Domiciliar à Pessoa Idosa), voltado a pessoas com 60 anos ou mais restritas ao domicílio e que necessitam de cuidados regulares. Para Padilha, o envelhecimento exigirá mudanças também na formação dos profissionais e maior presença de cuidadores.
O problema é que o Brasil atravessará essa transição em condições diferentes das experimentadas por países desenvolvidos. A médica e pesquisadora Margareth Dalcolmo, da Fiocruz, resumiu o contraste ao comparar o país com sociedades europeias: “Eles enriqueceram antes de envelhecer. Nós envelhecemos pobres.” Uma população menor, proporcionalmente muito mais idosa e com maior necessidade de cuidados de saúde coloca financiamento, atenção primária, assistência domiciliar e cuidados de longa duração entre os desafios centrais das próximas décadas.
