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Olhar do Mercado. Lucro da Bradsaúde pode saltar 74% e bater R$ 6,4 bilhões até 2029

UBS projeta avanço contínuo dos resultados mesmo com maior sinistralidade e vê consolidação do setor e expansão hospitalar como motores do crescimento

Crédito de Foto: Magnific
Crédito de Foto: Magnific Ilustração de Saúde Insider

Na última reportagem da série de analises sobre os grandes conglomerados da saúde brasileira sob a ótica do mercado financeiro, a estimativa é que o lucro da Bradsaúde pode avançar 74% em quatro anos e chegar a R$ 6,4 bilhões em 2029, segundo projeções do UBS BB. A estimativa parte dos R$ 3,7 bilhões registrados em 2025 e ocorre em meio a um processo de consolidação da saúde suplementar que, na avaliação do banco, tende a favorecer as maiores operadoras. Na abertura do especial, houve a análise da Rede D’OR. Na sequência o Saúde Insider apresentou as estimativas para o Fleury e para a Hapvida.

Atualmente, a Bradesco Saúde (subsidiária de seguros do grupo Bradsaúde) concentra cerca de 9% dos beneficiários médico-hospitalares do país, mas respondeu por aproximadamente 15% do lucro líquido do setor nos últimos 12 meses, de acordo com cálculo do UBS a partir de dados da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar). As projeções apontam crescimento contínuo dos resultados. Depois dos R$ 3,657 bilhões de 2025, o lucro deve alcançar R$ 4,549 bilhões neste ano, R$ 5,296 bilhões em 2027 e R$ 5,852 bilhões em 2028, antes de chegar aos R$ 6,356 bilhões em 2029.

Para 2030, o UBS estima R$ 6,847 bilhões. Na comparação com 2025, isso representaria expansão acumulada de 87%. As estimativas do banco para os lucros entre 2027 e 2030 estão mais de 10% acima do consenso de mercado. Um dos motores dessa trajetória está na concentração do mercado. O UBS avalia que pressões estruturais sobre operadoras menores tendem a liberar beneficiários que podem migrar para empresas de maior escala. Para a Bradesco Saúde, esse movimento funcionaria como uma espécie de consolidação orgânica, sem a necessidade de comprar concorrentes e assumir os custos e riscos normalmente associados a uma aquisição.

A projeção já considera aumento da base do grupo. O número total de beneficiários em todo conglomerado Bradsaúde deve passar de 13,9 milhões em 2026 para 14,4 milhões em 2027 e 14,9 milhões em 2028, acréscimo de aproximadamente 1 milhão de vidas em dois anos. O indicador engloba as diferentes operações reunidas na Bradsaúde, incluindo saúde e odontologia, e não deve ser confundido com a participação de aproximadamente 9% da Bradesco Saúde no mercado especificamente médico-hospitalar.

Segundo o banco, a expansão do lucro não depende de uma melhora da sinistralidade. O índice, que mede quanto das receitas com planos é consumido pelas despesas assistenciais, deve subir de 83,9% em 2026 para 84,6% em 2027 e 85% em 2028. No mesmo período, a margem líquida da operação de seguros recua de 4,1% para 3,5%. Sobre a pressão esperada para o ano que vem o banco relaciona a um ambiente econômico mais difícil para pequenas e médias empresas e ao orçamento mais apertado das famílias. Com isso, o índice combinado, que incorpora outros custos da operação, deve aumentar de 95,9% em 2026 para 96,5% no próximo ano. Mesmo nesse cenário, o UBS projeta que o retorno sobre o patrimônio avance de 24% para 26,5%.

Hospitais. Outra frente apontada pelo banco é a expansão da Atlântica Hospitais, plataforma que reúne os investimentos hospitalares do grupo. A joint venture com a Rede D’Or deve elevar o número de leitos operacionais de aproximadamente 2,3 mil em 2026 para cerca de 4,1 mil conforme os projetos contratados entram em funcionamento. No longo prazo, o UBS estima que a parceria possa responder por 13% do lucro consolidado da Bradsaúde.

A companhia também mantém participações e parcerias em outros ativos de saúde. A Atlântica possui 49,99% da joint venture com a Rede D’Or e participação de 20% no Grupo Santa, além da Novamed e de 33,33% da Croma, operação de oncologia criada com Fleury e Beneficência Portuguesa de São Paulo. Há ainda projetos hospitalares com o Einstein e a Rede Mater Dei previstos para entrar em operação a partir de 2029.

A geração de caixa também sustenta a expectativa de aumento na distribuição aos acionistas. O UBS projeta que o payout (parcela do lucro destinada a dividendos e outras formas de remuneração) passe de 40% em 2026 para 60% em 2027 e 75% em 2028, aproximando-se de 80% a partir de 2029. Ao mesmo tempo, o banco trabalha com uma taxa de solvência entre 110% e 120%, acima do mínimo regulatório. Confira a íntegra do relatório abaixo.

Questões essenciais

Quanto pode chegar o lucro da Bradsaúde?

O UBS BB estima que o lucro da Bradsaúde passe de R$ 3,7 bilhões em 2025 para R$ 6,4 bilhões em 2029, crescimento de aproximadamente 74%. Para 2030, a projeção chega a R$ 6,8 bilhões.

Por que o UBS espera crescimento do lucro da Bradsaúde?

O banco aponta fatores como a consolidação do mercado de saúde suplementar, o crescimento da base de beneficiários, a geração de resultado financeiro, o aumento da distribuição de capital e a expansão dos investimentos hospitalares.

Quantos beneficiários a Bradsaúde pode ter?

Segundo as projeções do UBS, a base total deve passar de 13,9 milhões de beneficiários em 2026 para 14,9 milhões em 2028. O número reúne as diferentes operações do grupo e não corresponde apenas aos beneficiários médico-hospitalares da Bradesco Saúde.

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