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Custos médicos sobem acima da inflação geral no mundo todo

Preços podem subir não apenas porque cada procedimento fica mais caro, mas também porque muda a quantidade e o tipo de serviço consumido

Imagem gerada por IA/ChatGPT
Imagem gerada por IA/ChatGPT Gráfico de Saúde Insider

Custos médicos devem continuar avançando muito acima da inflação geral em 2026. A projeção global é de alta de 10,6%, ante inflação de 3,6%, diferença de 7 pontos percentuais. No Brasil, a expectativa está praticamente em linha com a média mundial: os custos médicos devem subir 10,8% este ano, enquanto a inflação geral projetada é de 4%, segundo dados do Global Employee Health Report 2026, da Howden – pelo Relatório Focus (de 4 de setembro), do BC (Banco Central), o IPCA deve variar 5%.

O fenômeno não é exclusivamente brasileiro. As projeções de custos médicos variam de alta de 7,8% no Pacífico a 13,5% na Ásia e, em todas as regiões analisadas, superam com folga a expectativa para a inflação geral. A maior distância aparece na Ásia, com 11,4 pontos percentuais. No Reino Unido, são 9,9 pontos. Na América Latina e Caribe, 6 pontos. E na média global, 7 pontos. No Brasil, a distância é de 6,8 pontos, pelo estudo da Howden, ou de 5,8% se for considerada a projeção do mercado feita pelo BC.

A diferença persistente entre inflação médica e inflação geral tem causas que vão além do aumento dos preços. Em diagnóstico apresentado em audiência pública da ANS, a Secretaria de Promoção da Produtividade e Advocacia da Concorrência, então vinculada ao Ministério da Fazenda, apontou entre os fatores de pressão o envelhecimento da população, a incorporação de novas tecnologias e medicamentos mais caros e a judicialização. O documento também chama atenção para fatores internos ao próprio sistema, como incentivos desalinhados, ineficiência operacional e modelos de remuneração dos prestadores.

Há ainda o efeito da utilização. Os custos podem crescer não apenas porque cada procedimento fica mais caro, mas também porque muda a quantidade e o tipo de serviço consumido. Mais utilização por beneficiário e maior participação de procedimentos caros ajudam a explicar por que a inflação médica e os custos médico-hospitalares podem se descolar dos índices gerais de preços.

A demografia adiciona uma pressão de longo prazo. O gasto por pessoa cresce significativamente conforme avança a idade, o que torna o envelhecimento populacional componente estrutural do aumento das despesas assistenciais. Para operadoras, empresas contratantes e beneficiários, o desafio vai além de atravessar um ano de custos médicos de dois dígitos: é administrar um custo que, por características próprias do setor de saúde, tende a crescer acima da inflação convencional.

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