Medicamento experimental reduz em 32% o risco de morte em câncer de endométrio
Estudo de fase 3 com 776 mulheres mostra redução de 32% no risco relativo de morte e maior frequência de efeitos adversos; FDA analisa pedido de aprovação nos Estados Unidos
O medicamento experimental sacituzumabe tirumotecana aumentou de 12,1 para 19 meses a sobrevida global mediana de mulheres com câncer de endométrio avançado ou recorrente, previamente tratadas com quimioterapia e imunoterapia. A terapia reduziu em 32% o risco relativo de morte em comparação com a quimioterapia convencional, segundo resultados de um estudo clínico de fase 3 publicados em 26 de outubro na revista científica The Lancet.
O estudo internacional TroFuse-005 distribuiu aleatoriamente 776 mulheres entre dois grupos: 386 receberam o medicamento experimental e 390 foram direcionadas ao tratamento convencional, com doxorrubicina ou paclitaxel. Todas as participantes já haviam recebido quimioterapia à base de platina e imunoterapia. Os resultados correspondem a uma análise intermediária, com acompanhamento mediano de 14 meses.
A terapia também reduziu em 41% o risco de progressão da doença ou morte. A mediana de sobrevida livre de progressão, período em que o câncer não apresenta agravamento, chegou a 7,2 meses com o medicamento, contra 3,9 meses no grupo de quimioterapia. A resposta tumoral, caracterizada pela redução do tumor ou pelo seu desaparecimento nos exames, foi observada em 35,1% das pacientes que receberam sacituzumabe tirumotecana, ante 17,3% no grupo comparador. A resposta completa ocorreu em 6,1% e 4,5% das participantes, respectivamente.
O sacituzumabe tirumotecana pertence à classe dos conjugados anticorpo-fármaco, conhecidos pela sigla ADC. A tecnologia combina um anticorpo que reconhece a proteína TROP2, presente na superfície de células tumorais, com um agente citotóxico. O objetivo é direcionar a ação do medicamento às células cancerígenas. A terapia é desenvolvida pela MSD em colaboração com a empresa chinesa Kelun-Biotech.
No Brasil, o INCA (Instituto Nacional de Câncer) estima 9.650 novos casos anuais de câncer do corpo do útero entre 2026 e 2028. Em 2024, foram registradas 2.726 mortes pela doença. O câncer de endométrio, que se desenvolve no revestimento interno do órgão, é o tipo mais comum dessa categoria. Os números brasileiros abrangem todos os tumores malignos do corpo do útero, e não exclusivamente os de endométrio.
Os benefícios observados no estudo vieram acompanhados de maior frequência de efeitos adversos relacionados ao tratamento de grau 3 ou superior, classificados como graves ou clinicamente relevantes. Esses eventos ocorreram em 54,4% das pacientes que receberam o medicamento experimental, contra 41,4% entre aquelas submetidas à quimioterapia. Entre os principais efeitos estavam anemia, redução dos neutrófilos e inflamação da mucosa oral.
Eventos adversos relacionados ao tratamento levaram à morte de três pacientes em cada grupo, o equivalente a aproximadamente 0,8% das participantes tratadas. A interrupção definitiva da terapia em razão de efeitos adversos ocorreu em 3,1% das pacientes que receberam sacituzumabe tirumotecana e em 4,9% daquelas submetidas à quimioterapia.
A agência reguladora dos Estados Unidos, a FDA (Food and Drug Administration), aceitou analisar com prioridade o pedido de aprovação do medicamento para pacientes com câncer de endométrio previamente tratadas com quimioterapia à base de platina e imunoterapia. Segundo a MSD, a data prevista para a decisão é 15 de junho de 2027. A análise prioritária não representa autorização para comercialização. A empresa informou que pretende discutir os resultados do estudo com autoridades reguladoras de outros países.
Questões essenciais
Quanto o medicamento aumenta a sobrevida no câncer de endométrio?
No estudo TroFuse-005, a sobrevida global mediana foi de 19 meses entre as pacientes tratadas com sacituzumabe tirumotecana, contra 12,1 meses entre aquelas submetidas à quimioterapia. A diferença foi de 6,9 meses.
Quais são os efeitos adversos do sacituzumabe tirumotecana?
Entre os principais efeitos observados estão anemia, redução dos neutrófilos e inflamação da mucosa oral. Eventos relacionados ao tratamento de grau 3 ou superior ocorreram em 54,4% das pacientes, ante 41,4% no grupo comparador.
O sacituzumabe tirumotecana já foi aprovado pela FDA para câncer de endométrio?
Não. A FDA aceitou analisar o pedido de aprovação com prioridade e estabeleceu 15 de junho de 2027 como data-alvo para a decisão. A revisão prioritária não equivale à autorização de comercialização.
