Healthtech h.ai mira faturar R$ 10 milhões com consultórios digitais portáteis e telemedicina
Com atuação no SUS, rede privada e setor corporativo, startup projeta encerrar 2026 com 50 sistemas instalados
Healthtech especializada em soluções em telemedicina, a h.ai (escreve-se em minúsculas) mira dobrar o faturamento para R$ 10 milhões em 2027. Com presença no SUS (Sistema Único de Saúde), na rede privada e no ambiente corporativo, a empresa oferece cabines, totens e maletas (consultórios digitais portáteis) que permitem a realização de até 15 exames. Com foco em atenção primária e pronto atendimento, a startup possui hoje 30 sistemas instalados no Brasil e estima encerrar o ano com 50. Para 2027, o objetivo é atingir 100 sistemas em operação no país.
De acordo com a cofundadora da h.ai, Loraine Burgard, os sócios já investiram mais de R$ 10 milhões de capital próprio ao longo dos últimos quatro anos. Os aportes foram direcionados principalmente para o desenvolvimento de tecnologia e hardware, além da própria operação. Atualmente, a empresa promove uma rodada de captação de recursos, mas os valores e metas não foram revelados. A executiva afirmou que um dos fundamentos do negócio é agregar a coleta de dados do paciente à teleconsulta, viabilizando ações preventivas e a resolução de casos mais simples, evitando a necessidade de deslocamento.
Entre os exames que podem ser realizados na cabine da h.ai estão glicemia, pressão arterial, saturação, frequência cardíaca, eletrocardiograma, ausculta pulmonar e cardíaca, otoscopia, dermatoscopia e imagens de garganta. “Só vai ver o médico presencialmente quem realmente precisa”, disse a executiva. A solução visa aliviar o sistema de saúde ao agilizar o atendimento da população e diminuir a sinistralidade de operadoras e o absenteísmo em empresas. Outro benefício é levar médicos e especialistas para locais de difícil acesso.
Loraine citou como exemplo a presença da h.ai no município de Breves (PA), no arquipélago do Marajó, para o atendimento de comunidades ribeirinhas. Por outro lado, apontou a infraestrutura de telecomunicação como um dos maiores desafios para a operação no Brasil. “O país tem problemas de acesso à internet em algumas áreas.” Outro obstáculo é a adesão de profissionais da saúde ao uso da tecnologia. “Se a ferramenta for difícil de usar, vai haver barreira de aceitação entre os técnicos e os médicos”, disse Loraine. Para mitigar esse ponto, ela afirmou que a h.ai buscou desenvolver uma plataforma o mais amigável possível, para acelerar a receptividade.
A h.ai atua no segmento de telemedicina, que tem avançado no Brasil. Dados do painel de indicadores da SDB (Saúde Digital Brasil) indicam que o número de atendimentos remotos saltou de 200 mil em 2020 para mais de 3,1 milhões em 2025, totalizando quase 8 milhões de consultas digitais no período. Desenvolvido pela Serasa Experian, o painel foi criado a partir do processamento e da padronização técnica de bases de dados enviadas por empresas privadas que oferecem serviços de saúde digital, incluindo serviços prestados à saúde privada e pública. Entre as empresas participantes do painel, 98% dos atendimentos aconteceram por vídeo e 72% das consultas foram resolvidas e finalizadas no ambiente digital. E apenas 6% terminaram com encaminhamento para outra especialidade ou médico presencial.
Questões essenciais
O que faz a h.ai?
A h.ai desenvolve soluções de telemedicina que combinam consulta remota com dispositivos para coleta de parâmetros clínicos e realização de exames, por meio de cabines, totens e maletas portáteis.
Quanto a h.ai pretende faturar em 2027?
A healthtech projeta faturamento de R$ 10 milhões em 2027, segundo informações da empresa.
Quantos sistemas de telemedicina a h.ai pretende instalar?
A empresa afirma ter cerca de 30 sistemas em operação e projeta encerrar 2026 com 50 e alcançar 100 sistemas em 2027.
