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Negócios

Sysmex investe R$ 300 milhões em fábrica no Paraná e quadruplica capacidade de produção de equipamentos e reagentes

Fabricante japonesa amplia portfólio, avalia aquisições e reorganiza distribuição na América Latina após interromper exportações aos EUA

Crédito de Foto: Divulgação
Crédito de Foto: Divulgação Ilustração de Saúde Insider

Fabricante japonesa de equipamentos e reagentes para diagnóstico laboratorial, a Sysmex investe R$ 300 milhões em uma nova fábrica em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba (PR). A planta entrará em operação no primeiro trimestre de 2028, com capacidade instalada quatro vezes maior que a da unidade atual, que fica em um imóvel alugado a seis quilômetros de distância do novo endereço. A estratégia da companhia é ampliar o portfólio e ajustar a cadeia de distribuição para elevar a rentabilidade da operação na América Latina.

O investimento, anunciado com exclusividade ao Saúde Insider, será aplicado na aquisição do terreno, realização da obra e compra de equipamentos. A área tem 52,3 mil metros quadrados, a maior da empresa fora do país de origem. Vai abrigar também centros de distribuição e serviços. A fábrica atual emprega cerca de 60 profissionais. A estimativa é ampliar em 150 os postos diretos quando a nova unidade atingir produção plena.

A planta foi projetada para atender à demanda do mercado brasileiro, dos demais países da América Latina e a parte de um contrato corporativo com a Roche. Com a interrupção das vendas para os Estados Unidos depois do tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump ao Brasil, a produção dos itens exportados voltou para as fábricas do grupo em território americano. A operação brasileira não perdeu receita porque a comercialização era feita entre empresas do mesmo grupo, com o faturamento reconhecido na filial americana. Cerca de 10% do volume da unidade tinha como destino os Estados Unidos.

O movimento de expansão da empresa inclui incremento no portfólio e reestruturação da cadeia de distribuição. Segundo o gerente-geral da Sysmex para a América Latina, Thiago Liska, há possibilidade de expansão dos negócios também por meio de aquisições. “Temos conversas com empresas que são startups, com um produto comprovado”, afirmou o executivo, que está há cinco meses no cargo. Ele estava na distribuidora Viveo, onde atuava como diretor-geral de diagnósticos e liderou a criação da Prevena, distribuidora de IVD (diagnóstico in vitro).

A ampliação do catálogo começa pelos exames de coagulação, que a Sysmex traz para o Brasil e que já fazem parte do portfólio fora do país. A companhia disputa a liderança mundial em três categorias: coagulação, hematologia e urinálise. O mercado brasileiro de coagulação é metade do tamanho do de hematologia, segundo Liska. A Sysmex também olha para o imunoensaio, técnica por trás dos exames de hormônios e de marcadores de tumor. São linhas que Abbott, Roche e Siemens já vendem e que a companhia japonesa deixou de fora enquanto se especializava em hemograma.

Distribuição. A Sysmex tem atualmente 14 distribuidores no Brasil, mas já teve mais de 20. O plano de reestruturação da cadeia de distribuição nos outros países da América Latina visa a operar com dois ou três parceiros por mercado, número que a empresa considera suficiente para cobrir o canal público e clientes privados grandes e pequenos. A companhia busca distribuidores com maior capacidade de execução. “Hoje servir direto é muito caro, principalmente o serviço e a assessoria científica”, disse Liska.

No Brasil, a atuação é regionalizada por causa da dimensão geográfica. O modelo de atendimento é híbrido, em que as contas grandes seguem atendidas diretamente pela empresa e as menores, por distribuidores. O México deve seguir o mesmo desenho. Nos demais mercados da região, o atendimento será majoritariamente indireto. A Sysmex tem afiliadas próprias no Brasil, no Chile, na Colômbia e no México. Nos outros países, o distribuidor faz a importação de reagentes do Brasil, dos Estados Unidos ou do Japão.

No mercado nacional, o crescimento recente veio de duas fontes. A hematologia da Sysmex avançou em linha com o mercado brasileiro e latino-americano de diagnóstico in vitro, entre 7% e 8% ao ano. Somada à urinálise, a receita da região cresceu a uma taxa de dois dígitos, pouco abaixo de 20%, segundo Liska. Os ganhos de participação se concentraram em clientes de pequeno e médio porte nos últimos quatro anos. Na América Latina, a hematologia é distribuída pela Roche, que compete com a Sysmex em urinálise. A empresa não abre o faturamento da operação brasileira. Globalmente, a companhia faturou US$ 3,2 bilhões no ano fiscal de 2026, encerrado em 31 de março. Para o exercício de 2027, a previsão é se aproximar de US$ 3,5 bilhões, 7% superior.

Questões essenciais

Quanto a Sysmex vai investir na nova fábrica no Paraná?

A Sysmex prevê investir R$ 300 milhões na nova unidade de São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. O valor será destinado à compra do terreno, à construção e à aquisição de equipamentos.

Quando a nova fábrica da Sysmex deve entrar em operação?

A previsão é que a unidade comece a operar no primeiro trimestre de 2028. Segundo a empresa, sua capacidade instalada será quatro vezes maior do que a da fábrica atual.

Por que a Sysmex está construindo nova fábrica no Brasil?

A empresa pretende ampliar a capacidade produtiva, aumentar o portfólio e atender à demanda do Brasil e de outros mercados latino-americanos. A estratégia regional também envolve mudanças na distribuição e a possibilidade de aquisições.

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