Brasil tem combinação única na saúde para liderar inovação na América Latina, diz presidente da Siemens Healthineers
Executivo avalia que SUS, excelência hospitalar e integração dos sistemas público e privado podem ajudar país a encontrar soluções para desafios do setor na região
O Brasil tem condições de liderar a transformação da saúde na América Latina, afirmou o presidente da Siemens Healthineers para a América Latina, Fabrizio Signorin. Ele avalia que o país, além de ser o maior da região, conta com um sistema público robusto e instituições privadas de referência, combinação que o coloca em posição de aplicar as inovações necessárias para superar os desafios comuns ao setor no continente, como o envelhecimento populacional, a sustentabilidade financeira e a desigualdade no acesso a tratamentos.
“Vejo o papel do Brasil para liderar essa transformação, para fazer novos projetos no país para poder escalar na região”, disse o executivo durante evento promovido pela Siemens Healthineers em São Paulo. Signorin destacou que a América Latina está passando por um processo de envelhecimento populacional que deve pressionar os sistemas de saúde da região.
Segundo dados da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe), a região conta, em 2026, com 101 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, cerca de 15,1% da população total. Estima-se que, em 2050, o número aumente para 182 milhões de pessoas, representando 25% da população total. “Isso causará mais internações, diagnósticos e tratamentos”, afirmou Signorin.
O presidente da Siemens pontuou que, com a demanda crescente, acentua-se a pressão sobre a carga de trabalho dos profissionais da saúde e sobre a sustentabilidade financeira do setor. Para enfrentar esses desafios, será necessária a colaboração entre o sistema público e as instituições privadas, o que coloca o Brasil em uma posição estratégica na região, avalia o executivo. “O Brasil tem uma combinação única de dois sistemas”, afirmou, destacando o tamanho e o alcance do SUS e a qualidade do setor privado.
Para fortalecer o argumento, citou que 33 instituições brasileiras foram incluídas no ranking World’s Best Specialized Hospitals 2027, elaborado pela revista Newsweek. “O Brasil tem excelência clínica e cobertura continental.” Para Signorin, a colaboração entre os dois setores pode levar à criação de novos modelos assistenciais e de negócios, além de novas formas de ampliar o acesso ao paciente.
A Siemens Healthineers quer contribuir nesse processo com inovação. “Inovação tecnológica não é equipamentos. É permitir que hospitais e clínicas possam tratar mais pacientes de maneira mais eficiente”, afirmou o executivo. Fornecedora global de equipamentos, soluções e serviços de saúde, a Siemens Healthineers registrou receita de 23,4 bilhões de euros no ano fiscal de 2025, aumento de 5,9% sobre o período anterior.
No Brasil, a companhia possui uma fábrica em Joinville (SC) dedicada a sistemas de tomografia, ressonância magnética e radiografia. A empresa ainda desenvolve parcerias com instituições de saúde. Uma delas é com o InovaHC, o núcleo de inovação tecnológica do Hospital das Clínicas da Fmusp (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).
Entre as iniciativas está o In.Lab, lançado em 2020 em colaboração com o InRad (Instituto de Radiologia) do Hospital das Clínicas da Fmusp. O espaço é destinado ao desenvolvimento de projetos de inteligência artificial. Presidente do InovaHC, Giovanni Cerri destacou a colaboração na área de neurologia, afirmando que as doenças neurodegenerativas representam um grande desafio com o envelhecimento da população.
“As parcerias público-privadas são fundamentais para a sustentabilidade do sistema de saúde”, disse o médico, acrescentando que tecnologias como digitalização e conectividade podem ajudar a melhorar o acesso à saúde e reduzir a desigualdade.
Questões essenciais
Por que o Brasil pode liderar a inovação em saúde na América Latina?
Na avaliação de Fabrizio Signorin, presidente da Siemens Healthineers para a América Latina, o tamanho do SUS e a presença de instituições privadas de referência dão ao Brasil condições para desenvolver projetos de saúde que possam posteriormente ganhar escala em outros países da região.
Como o envelhecimento da população afeta a saúde na América Latina?
A América Latina e o Caribe têm cerca de 101 milhões de pessoas com 60 anos ou mais em 2026, aproximadamente 15% da população. A projeção é que esse grupo represente cerca de 25% da população regional em 2050, aumentando a demanda sobre os sistemas de saúde.
Como a Siemens Healthineers trabalha com inovação em saúde no Brasil?
Entre as iniciativas está o In.Lab, criado em 2020 em colaboração com o InRad e o InovaHC, do Hospital das Clínicas da Fmusp. O espaço desenvolve projetos de inteligência artificial aplicados à saúde e reúne pesquisadores, startups e outros parceiros.
